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Educação e tecnologia

18/06/2021
Alunos assistem a vídeos em velocidade máxima para encurtar as aulas.

Não foi só a vida que mudou em épocas de pandemia, a tecnologia também. Em busca de facilitar a rotina nesse período de distanciamento social, muitos aplicativos fizeram mudanças para atender à urgência das pessoas em seu cotidiano; para a comunicação; para fins de trabalho ou apenas para entretenimento.

As novidades tecnológicas são muitas e com diversas possibilidades. Entre elas, enviar e receber dinheiro via Whatsapp. Além disso, o aplicativo de mensagens mais utilizado no mundo apresentou recentemente a função de acelerar a velocidade de reprodução dos áudios, um recurso que promete favorecer aquelas pessoas “mais impacientes”, que reclamam do tamanho das mensagens que recebem.

Desde o último dia 24 de maio, a reprodução dos áudios recebidos “via zap” passou a ser feita em três velocidades: 1.0x, 1,5x e 2,0x (a mais rápida de todas). Mas, embora seja uma novidade no Whatsapp, a função de aumentar a velocidade de reprodução de áudios já era uma prática em aplicativos concorrentes. Ademais, para quem tem o hábito de ouvir podcasts ou assistir a vídeos via YouTube também já contava com essa possibilidade de recorrer a velocidades diferentes para economizar tempo.

Educação e tecnologia

Em tempos de novidades, a educação também tem se ajustado aos novos modelos tecnológicos. Mas algumas práticas têm preocupado os educadores. Existe ganho em acelerar as aulas ou vídeos educativos?

Uma vez que essa tecnologia alcançou os aparelhos dos alunos no ensino a distância, a preocupação é quanto às aulas on-line que - para “ganhar” tempo - passaram a ser aceleradas pelos estudantes. Em entrevista, alguns garantiram que, com essa possibilidade, é possível reduzir as aulas de três horas para uma hora e meia.

Mas por que acelerar as aulas?

De acordo com Andrea Jota, pesquisadora do laboratório de estudos de psicologia e tecnologia da PUC-SP, em entrevista a um canal de notícias, a escolha por aumentar a velocidade das aulas pode estar relacionada ao cansaço ou à atenção exclusiva que o aluno precisa dedicar às aulas.

Em função da pandemia, os estudos e o lazer passaram a ser realizados muito mais no mundo digital, transformando as “obrigações” em práticas bem menos atraentes. Segundo ela, o aluno , cansado de ficar tanto tempo no celular ou no notebook, opta por reduzir a permanência em frente às telas.

Atenção exclusiva

Outro fator para a mudança está relacionado à atenção que se dá para as aulas. Na presencial, o aluno nunca fica totalmente focado no professor, porque é possível trocar conversar com o colega ao lado, olhar para a janela, se distrair olhando um elemento da sala etc. Quando o ensino é remoto, a aula on-line é o centro de tudo e o campo de distração quase não existe.

Mesmo depois de um ano, a adaptação ao formato virtual também é um complicador. No início, todos achavam que o recurso on-line seria passageiro, porém encontrar um formato atrativo para dar continuidade ao novo processo acabou sendo um desafio para os professores. Implementar o ensino remoto foi brusco e grande parte dos docentes ainda buscam um modelo na tecnologia para atrair os estudantes.

Consequências das aulas aceleradas

Não é de hoje que o mundo está “mais acelerado”. Nossa necessidade de fazer muitas coisas ao mesmo tempo, de estar presentes em todos os lugares e aproveitar melhor as horas do dia nos trazem a sensação de que precisamos otimizar tudo. Mas a ideia também vem acompanhada de muita ilusão, porque alguns processos podem não funcionar tão bem com toda essa agilidade.

Pelas razões listadas acima, é até “normal” acelerar as aulas para ganhar mais tempo, porém a dificuldade é saber lidar com as consequências , que podem implicar dificuldade de foco, perda da comunicação, dificuldade em ser paciente e até de voltar a conviver socialmente. Além disso, acelerar o conteúdo das aulas pode resultar numa perda muito grande na assimilação do que está sendo explicado.

Por isso, antes de acelerar as explicações, é preciso ponderar as necessidades em relação àquele conteúdo e não se concentrar apenas na vontade de “economizar tempo”. O recurso é ótimo para nos poupar dos sofridos áudios longos no Whatsapp, mas será que nos ajuda realmente com as aulas?

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