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Voto eletrônico

18/09/2026
Tecnologia a serviço da democracia

Eleições à vista, candidatos disputando votos, debates, propaganda política... Mas no meio disso tudo, um grande destaque: o  voto eletrônico, que transformou a maneira como milhões de pessoas participam das eleições.

Embora essa tecnologia eleitoral seja utilizada em diferentes países, o Brasil ocupa uma posição de destaque nessa história. Desde a década de 1990, o país vem desenvolvendo um sistema próprio de votação eletrônica, adaptado às características de seu eleitorado e a experiência brasileira tornou-se um dos exemplos mais conhecidos de informatização de eleições em larga escala.

A primeira utilização da urna eletrônica brasileira ocorreu nas eleições municipais de 1996, quando cerca de 32 milhões de eleitores utilizaram o novo sistema. E já em 2000 a votação eletrônica  havia sido implantada em todos os municípios brasileiros.

A mudança representou uma transformação importante. 

Um dos principais objetivos da adoção da urna eletrônica foi tornar o processo eleitoral mais rápido e eficiente, já que no antigo sistema baseado em cédulas de papel, era necessário transportar, conferir e contar manualmente grandes volumes de votos.

A informatização agilizou todo o processo, permitindo que o resultado das eleições passasse a ser conhecido muito mais rapidamente e eliminando os erros possíveis pela contagem manual. 

E vale ressaltar que na concepção da  urna eletrônica o sigilo do voto, um dos princípios fundamentais de uma eleição democrática, foi um item crítico. Hoje, o eleitor registra sua escolha individualmente e o sistema não apresenta publicamente a relação entre uma pessoa e o candidato escolhido.

Outro ponto importante é a possibilidade de fiscalização e auditoria.

Uma ideia equivocada sobre sistemas eletrônicos é imaginar que, depois que o eleitor aperta a tecla “confirma”, não existe mais nenhuma forma de verificar o processo. Na realidade, o sistema eleitoral brasileiro prevê diferentes mecanismos de fiscalização antes, durante e depois das eleições.

Entre esses mecanismos estão testes públicos de segurança, verificação de assinaturas digitais, conferência dos sistemas instalados nas urnas e procedimentos de auditoria.
Também é possível comparar informações registradas na urna com os boletins de urna utilizados na totalização.

Essa possibilidade de auditoria é fundamental para qualquer sistema tecnológico utilizado em eleições. A confiança não deve depender apenas da afirmação de que determinada tecnologia é segura.

É importante que existam procedimentos que permitam testar, verificar e fiscalizar seu funcionamento.

Quanto maior a transparência dos processos de verificação, maior tende a ser a possibilidade de identificar problemas e aperfeiçoar o sistema.

Além do Brasil, vários outros países utilizam tecnologias eletrônicas em eleições, sob diferentes formatos. Países como Bélgica, Bulgária, Índia, Bangladesh, Butão e El Salvador utilizam sistemas de voto eletrônico em determinadas eleições e a Estônia adotou, desde 2005, o voto pela internet.

Os diferentes formatos atendem às necessidades e especificidades de cada nação, como tamanho do eleitorado, infraestrutura disponível, legislação e capacidade técnico-operacional.

No caso brasileiro, uma das grandes vantagens está justamente na experiência acumulada. São três décadas de utilização e aperfeiçoamento contínuo da tecnologia e ao longo desse período, novos modelos de urna foram desenvolvidos e diferentes mecanismos de segurança e auditoria foram incorporados.

É importante, porém, ressaltar que nenhuma tecnologia elimina completamente a necessidade de fiscalização. Trata-se de compreender como uma sociedade utiliza a tecnologia para proteger um dos principais instrumentos da democracia: o voto.

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